Cosmógrafo, geógrafo, navegador e mercador, Amerigo Vespucci nasceu em Florença, em março de 1454, no centro de uma família de classe alta, que lhe oportunizou uma avultada formação, sob a orientação de seu ilustrado tio, o frade dominicano Giorgio Antonio Vespucci. Seus estudos foram completados na França, onde aprofundou-se em astronomia, cosmologia e geografia. Depois retornou à Florença, quando foi trabalhar na casa bancária dos Médici, firmando grande amizade com ricos comerciantes, banqueiros, embaixadores e membros da casa real.

Em outubro de 1492 foi transferido para Sevilha. Então, cansado das atividades burocráticas, já no remate do século XV, decide-se por aventurar-se ao mar, aproveitando-se de operar no financiamento à navegação, com o propósito do lucrativo comércio das especiarias. A primeira viagem comprovada de Vespucci aconteceu em maio de 1499, na expedição de Alonso de Ojeda, a serviço dos reis católicos de Aragão e Castela. Nessa expedição percorreu o atual mar do Caribe e alcançou a foz do rio Orinoco, na Venezuela, e a Ilha Margueritta, em busca das Índias.

Após retornar a Sevilha Vespucci viajou para Portugal, a convite do rei D. Manuel I, aonde chegou em fevereiro de 1501. Prontamente foi contratado para participar da primeira expedição exploradora que seria enviada ao Brasil, presumivelmente como cosmógrafo ou geógrafo. A expedição, sob o comando de Gaspar de Lemos, partiu de Lisboa em maio de 1501, com o objetivo de conhecer e explorar as riquezas que as terras aportadas por Pedro Álvares Cabral possuíam. Entretanto, só seria encontrado o pau-brasil.

A expedição de Gaspar de Lemos mapeou e nominou os principais acidentes geográficos da costa brasileira, atribuindo nomes do calendário litúrgico e de datas festivas à medida que a expedição avançava. Todavia, deve-se a Amerigo Vespucci o único relato que sobrou da viagem, que é uma carta enviada ao amigo e chefe Lorenzo di Pierfrancesco de Médici logo após a chegada da esquadra, em julho de 1502. Nela, Vespucci descreve a beleza da fauna e da flora e os costumes dos nativos.

Tempo depois a carta recebeu o nome de “Mundus Novus”, quando é publicada na forma de panfleto. Transforma-se, assim, em grande sucesso editorial em toda Europa, não obstante aos exageros que foram acrescidos. Contudo, não se sabe se teve, ou não, a aquiescência de Vespucci em troca de fama e dinheiro.

Amerigo Vespucci tinha pleno conhecimento das pretensões de Cristóvão Colombo e de suas incursões no Atlântico. Somou a isso suas conversas com os navegantes portugueses acerca dos mares por eles alcançados, como o caminho para as Índias. Então, veio-lhe a certeza de que as novas terras desvendadas no ocidente formavam um novo continente, e não região periférica da Ásia, conforme se pensava.

A segunda viagem de Amerigo Vespucci com o pavilhão português aconteceu entre junho de 1503 e junho de 1504, na segunda expedição exploradora, sob o comando de Gonçalo Coelho. A expedição foi organizada com seis caravelas, de modo a atender ao contrato assinado entre o rei D. Manuel I e comerciantes portugueses, liderados por Fernão de Noronha, para exploração do pau-brasil, com encargo de impostos e de construir feitorias.

É no retorno dessa viagem que Vespucci escreveu uma nova carta ao nobre florentino Piero Soderini, seu amigo de infância, relatando a antropofagia do nativo brasileiro. Dois anos depois, em julho de 1506, a carta é publicada com o nome de “Lettera a Soderini”, tornando-se um novo sucesso editorial, com fantástica repercussão. Mas, novamente, o panfleto é marcado por muitas invenções e exageros. Porém, consolida o nome do novo continente, chamado de América, em sua homenagem.

O nome acabou por permanecer no feminino, pois todos os demais continentes conhecidos – Europa, Ásia e África – tinham esse atributo.

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