A mineradora Vale S.A. é uma das maiores companhias do mundo, sendo a maior na produção de ferro bruto e em pelotas produzidos nas minas dos estados de Minas Gerais e do Pará, sobretudo. Criada em 1942, no governo do presidente Getúlio Vargas, com sede na cidade de Itabira-MG, a companhia foi privatizada em maio de 1997, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Daí em diante cresceu vertiginosamente, sem os entraves do Estado, principalmente depois da abertura de capital na Bolsa de Valores de Madri e na de Nova York, no início do ano 2000.

Atualmente, a composição acionária da Vale está distribuída da seguinte forma: 47,7% estão nas mãos de investidores estrangeiros, principalmente dos fundos de pensão americanos; 13,2% de investidores brasileiros e mais 21,0% dos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da Cesp. O Bradesco detém aproximadamente 5,8% das ações, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPAR) controla 6,7%. O restante das ações está pulverizado, com predominância entre os japoneses.

O governo brasileiro, através do Tesouro Nacional, tem o Golden Share da companhia, que é o poder de veto em decisões importantes, tais como na transferência da sede para outro país, na denominação e nos objetivos sociais relativos à exploração de mineral e na liquidação, venda ou encerramento das atividades. No entanto, o governo não tem o poder de veto ou escolha da diretoria diretamente, mas através dos acionistas dos fundos de pensão ligados às estatais brasileiras.

Pela composição acionária, pode-se concluir que grande parte dos juros e dividendos da Vale, oriundos dos resultados operacionais e financeiros, não fica no Brasil, haja vista maior participação dos acionistas estrangeiros. Mesmo assim, o percentual desses acionistas é bem menor do que na Embraer, que tem a maioria de seus acionistas os fundos de pensão americanos, o que inclusive facilitou a venda daquela empresa para a gigante Boeing, em finais de tratativas de negócios. Na realidade a Embraer já não era mais brasileira há muito tempo!

A atividade mineradora é uma atividade de risco das mais danosas ao meio ambiente, em todo o mundo. Daí que muitos países priorizem comprar o minério bruto e ainda obter alta rentabilidade no processo produtivo realizado em outros países, como é o caso dos Estados Unidos e de muitos países da Europa. Esta é uma maneira de obter lucro eliminando os riscos da atividade, muito praticada no ramo da extração mineral.

Desta forma, mal aconteceu à tragédia da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, com centenas de mortos e danos irreparáveis ao meio ambiente e às inumeráveis famílias atingidas, investidores americanos já começam a mover ações coletivas contra a Vale, de modo a reparar possíveis perdas financeiras de seus negócios no Brasil. O único argumento é o de que a diretoria da Companhia havia se comprometido a manter os locais de extração seguro e preservando o meio ambiente. O desastre ocorrido sequer é levado em consideração, nem em seus aspectos humanos.

Percebe-se, assim, que enquanto muitos países estão determinados a aumentar sua riqueza, no Brasil acontece o contrário. Parece que nos acostumamos a ser explorados e a não criar e explorar as nossas próprias riquezas. O exemplo começa até mesmo nos três poderes da República, onde não são poucos os exemplos de predadores do Estado brasileiro. A tragédia de Brumadinho, consecutivamente, fica mais como um exemplo do que deixou de ser feito, enquanto nossos políticos visavam seus próprios interesses. Este, aliás, é também um dos infortúnios para as nossas crises.

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