O atual ministro da Saúde, o médico ortopedista e ex-deputado Federal pelo estado Mato Grosso do Sul, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), terá enormes desafios pela frente. O principal deles é resolver a questão do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS), haja vista que a maioria dos procedimentos constantes da tabela de referência para remuneração dos serviços não é reajustada há anos. Isto tem contribuído com o agravamento da situação financeira dos estados e dos municípios, que ficam obrigados a alocar cada vez mais recursos para o setor.

Entretanto, os mais prejudicados até aqui tem sido os hospitais filantrópicos conveniados ao SUS, onde faltam recursos financeiros de toda ordem para o custeio das atividades. Desta forma, essas entidades ficam impossibilitadas de realizar todo tipo de investimento, inclusive para a adequação das instalações físicas e para a manutenção dos serviços.  Obras de ampliação e aquisição de novos equipamentos, que sempre se fazem necessárias, sequer são levadas em consideração, tamanha a escassez de recursos.

A qualidade dos gastos também não pode deixar de ser considerada, de modo a eliminar determinados gargalos que há anos vêm emperrando a melhoria do SUS. Pode-se mencionar, entre eles, a insipiência de gestão em grande parte dos estados e municípios. Isto se deve a predominância de indicações políticas nem sempre associadas à meritocracia. Cabe ao Governo Federal estabelecer diretrizes mais eficazes de gestão; inibir a corrupção existente no sistema; conceber metas e cobrar resultados. O setor precisa ser urgentemente profissionalizado!

Na área da assistência básica, o maior desafio será promover MAIS SAÚDE, já que o Programa de Saúde da Família sai fortalecido com a contratação dos médicos brasileiros em substituição aos cubanos. Nos últimos anos foram criadas mais 18.240 vagas de médicos, o que garante atualmente o atendimento de cerca de 120 milhões de brasileiros em localidades de difícil acesso e nas periferias das grandes cidades.

No entanto, não bastam mais médicos, mas que os atendimentos sejam integrais e humanizados. Doenças degenerativas como diabetes, hipertensão arterial, tuberculose, hanseníase, entre outras, não podem ser negligenciadas. A prática tem demonstrado que o acompanhamento in loco, com visitas domiciliares, associado à distribuição regular de medicamentos, evita o agravamento da doença e diminuindo a  necessidade de internações hospitalares.

Outro desafio importante será a implantação do prontuário eletrônico, conforme promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Isto proporcionará um salto de qualidade imensurável, além de inibir desperdícios. O maior benefício será a formação de um histórico do paciente, que facilitará o acompanhamento e a evolução dos tratamentos realizados, evitando a superposição de procedimentos.  No plano econômico, há regiões onde mais de 50% dos exames laboratoriais sequer são retirados pelos pacientes.

Já na área de atendimento especializado a maior adversidade é a criação de redes de atenção complementar, bem como a carência no mercado de profissionais habilitados em determinadas áreas. Cabe, então, ao governo central induzir a criação de novos núcleos de atendimentos especializados, seja através da formação de consórcios ou outras medidas afins. Outra iniciativa necessária é a continuidade na política de ampliação de vagas de residência médica em áreas prioritárias.

Na área hospitalar será imprescindível o incentivo para a criação de novos leitos, de acordo com necessidades regionais. O grande problema nessa área foi que o subfinanciamento do setor obrigou os hospitais a desativarem milhares de leitos. Muitos também foram forçados a encerrar as atividades. É evidente, portanto, que os desafios serão enormes…

Deixe uma resposta