Amparados pela imunidade, muitos políticos brasileiros julgam-se que os votos do povo e a eleição lhes dão o direito de agirem ao bel prazer, como se estivessem acima do bem e do mal. Tal cultura parece tão impregnada que grande parte dos parlamentares não demonstra qualquer constrangimento em aprovar determinadas Leis contrárias aos interesses públicos, ou de detoná-las quando não lhes convém.  Um bom exemplo são as “Dez Medidas Contra a Corrupção”, de iniciativa popular, com mais de 2,0 milhões de assinaturas.

Tal Projeto deu entrada no Congresso Nacional no dia 29 de março de 2016, pelas mãos do Ministério Público Federal (MPF) e de representantes da sociedade civil. No dia 26 de novembro daquele mesmo ano, após pressão da sociedade, o Projeto de Lei foi à votação, já de madrugada, totalmente desfigurado. Suas “excelências” acabaram por criminalizar Juízes e Procuradores por abuso de autoridade, enquanto abrandavam o crime, inclusive anistiando o caixa dois.

Daí que depois de votada e aprovada por esmagadora maioria a Lei acabou parando no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Luiz Fux determinou, através de liminar, que ela retornasse a Câmara dos Deputados, para recomeçar o processo com o texto inicial, de iniciativa popular, de tão desfigurada que estava.

Outro fato épico e pitoresco aconteceu no dia 17 de junho de 2009, no Palácio do Planalto, quando o ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) afirmou em seu discurso que o ex-presidente José Sarney (MDB-AP) não poderia ser tratado como “uma pessoa comum”. Naquela ocasião, o então senador José Sarney estava sendo denunciado por criação de cargos e nomeações de parentes por atos secretos. Mais um de seus danosos malfeitos!

Não é de se estranhar, portanto, que o ministro da Articulação Política do governo, deputado Carlos Marun (MDB-MS), entre agora com um pedido de impeachment conta o ministro do STF Luís Roberto Barroso, por revogar o indecoroso indulto natalino editado pelo presidente Michel Temer, para liberar políticos corruptos da prisão.

“a corrupção no Brasil não foi um conjunto de falhas individuais e pequenas fraquezas humanas. Ela é parte central de um pacto oligárquico que foi celebrado entre boa parte da classe política, da classe empresarial robusta e boa parte da burocracia estatal. Um pacto de saque ao Estado brasileiro.”

Aliás, o ministro Barroso tem sofrido inúmeras críticas por suas posições. Não são poucos os políticos que o tem em desafeto, principalmente depois da entrevista à jornalista Mira Leitão, de “O Globo”, quando declarou que “a corrupção no Brasil não foi um conjunto de falhas individuais e pequenas fraquezas humanas. Ela é parte central de um pacto oligárquico que foi celebrado entre boa parte da classe política, da classe empresarial robusta e boa parte da burocracia estatal. Um pacto de saque ao Estado brasileiro.”

Não é de se estranhar, portanto, que o ex-presidente Lula de Silva ainda se considere inocente, mesmo depois de massivas derrotas sofridas nos tribunais, que resultaram em 12 anos e seis meses de cadeia. Mas, como no meio o que prevalece é a dissimulação e a mentira, não é de se estranhar que agora o PT apareça com a versão de que “Lula será preso porque é perseguido”. Mas, a realidade é que não faltaram provas de sua culpabilidade no processo.

É doloroso que no Brasil, em pleno século XXI, muitos políticos cometam verdadeiros atentados ao Estado de Direito e à Democracia, sem nenhuma preocupação com o País e sua gente.

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Nascido em Barra de São João, no Rio de Janeiro, Wagner Medeiros Jr. é formado em economia com diversas especializações na área da saúde. Área na qual sempre teve grande atuação, já foi o representante capixaba na Federação Brasileira de Hospitais e atualmente é o superintendente do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim-ES. Ao longo de sua carreira sempre conviveu diretamente com a política, exercendo também cargos públicos, experiências que contribuem para seu senso crítico acerca do assunto. Um estudioso da história do Brasil com uma posição política de centro, contra os radicalismos de esquerda e direita, se destaca como colunista dos jornais Aqui Notícia, Folha do Caparaó e da revista Cult. Por estes e outros destaque foi convidado a integrar a Academia Cachoeirense de Letras, de onde é membro desde 2016.

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