Quando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro José Antonio Dias Toffoli, decidiu pela abertura de inquérito para investigar supostas notícias caluniosas, ameaças e fake news contra aquela Corte, não poderia imaginar a repercussão negativa de seu ato, em todos os setores. O inquérito, que ficou a cargo do ministro Alexandre Moraes, recebeu uma saraivada de críticas, inclusive no próprio STF. Pela interpretação de renomados juristas e várias autoridades não é de competência daquela Corte realizar aquele tipo de investigação.

As críticas acabaram por chegar ao ápice quando o ministro Alexandre Morais decidiu por censurar reportagem da revista “Crusoé”, extensiva ao site “O Antagonista”. A reportagem fazia menção ao ministro Toffoli como sendo o personagem “o amigo do amigo de meu pai”, que consta em depoimento prestado à Operação Lava Jato pelo empresário Marcelo Odebrecht. O ministro ainda estipulou uma multa de R$ 100 mil por dia, em caso de descumprimento da decisão. A reação foi tão grande que ao ministro Alexandre Moraes não restou alternativa que não fosse revogar sua própria decisão.

Ao abrir o inquérito o ministro Dias Toffoli tinha em mente melhorar a imagem do STF. Porém, não avaliou que impondo medidas de força estaria ferindo o Estado de Direito e a Democracia. Além disso, não são com decisões autoritárias, comuns às ditaduras, que se conquista credibilidade. São com bons exemplos! E quando se trata de bons exemplos a Suprema Corte, dividida, tem andado na contramão dos anseios dos brasileiros. É visível a todos que muitas de suas decisões vêm favorecendo à corrupção, à bandalheira. Os protagonistas são sempre os mesmo: os ditos “garantistas”.

Não bastassem tais decisões para demolir a credibilidade do STF, esta semana veio à tona, através de reportagem publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, que a Justiça Federal, em decisão da juíza Solange Salgado, suspendeu a licitação para compra de medalhões de lagostas e vinhos importados. A licitação tinha como objeto a refeição de suas excelências ministros e convidados, com valor de até R$ 1,13 milhão. Segundo a reportagem, “a compra também entrou na mira do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU)”.

A licitação é bem detalhada, para atender ao gosto refinado dos ministros da Corte. O menu começa com café da manhã completo – ornado com frutas tropicais e importadas. Tem também almoço, jantar e coquetel. Os pratos são variados e incluem bobó de camarão, camarão VG à baiana, frigideira de siri, moqueca capixaba, moqueca baiana e medalhões de lagosta. E para impelir os paladares refinados dos ministros e convidados as lagostas devem ser preparadas “com molho de manteiga queimada”.

Quanto ao vinho, a licitação estabelece como requisito para o tinto as uvas Tannat ou Assemblage, de safra igual ou posterior ao ano de 2010. Para a garantia da qualidade, que “o vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 (doze) meses”. Outro item importante, para afiançar uma boa degustação e satisfazer o gosto apurado, é que o vinho “tenha ganhado pelo menos 4 (quatro) premiações internacionais”.

De acordo com a reportagem de “O Estado de São Paulo”, para a juíza Solange Salgado, o edital da lagosta e do vinho não se insere como “necessário para a manutenção do bom e relevante funcionamento do Supremo Tribunal Federal” e os itens exigidos na licitação “destoam sobremaneira da realidade socioeconômica brasileira, configurando um desprestígio ao cidadão brasileiro que arduamente recolhe seus impostos para manter a máquina pública funcionando a seu benefício”. Não é necessário dizer mais nada, apenas que isso tudo parece que é brincadeira. Contudo, não é! É a realidade do Brasil, do nosso STF…  

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