No período dos governos petistas (2013/2018), incluindo o do então vice-presidente Michel Temer (MDB-SP) em razão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), o Centrão se associou ao PT e ao MDB para ocupar os melhores lugares na Esplanada dos Ministérios, no centro do poder, em Brasília, e nas estatais. Inclusive, o número de cargos e ministérios foi aumentando expressivamente, de modo a atender a ânsia desmedida pelo toma lá dá cá com aqueles partidos, “como nunca se viu na história deste país”, lembrando expressão muita usada pelo ex-presidente Lula da Silva (PT-SP).

Entretanto, nem o julgamento do MENSALÃO do PT pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a condenação e prisão de inúmeros políticos, inclusive do então todo poderoso José Dirceu (PT-SP), foi suficiente para desencorajar a roubalheira. E assim eclodiu a Operação Lava Jato e o PETROLÃO – maior escândalo político brasileiro de todos os tempos, quiçá no mundo, pelas vultosas cifras roubadas e organização do cartel criminoso. As investigações mostraram que há tempo o Brasil e a Petrobras vinham sendo saqueados, indecorosamente, com a participação do governo central.

Além do roubo e das malas e mais malas de dinheiro, o país se endividava para promover um crescimento econômico em modo vôo de galinha, com investimentos públicos de necessidades questionáveis. Não à toa o Brasil tem atualmente quase 12 mil obras paradas – aproximadamente cinco mil são do Programa de Aceleração de Crescimento, o PAC, idealizado pela ex-presidente Dilma-Rousseff. Somente em creches são mais de mil.

E, para espanto geral da nação, as investigações acabaram por mostrar que o mar de lama da corrupção abarcava também a oposição, incluindo o PSDB e o atual Democratas. Então, figuras de destaque nacional não tardaram a ser desmascaradas, tal como Aécio Neves (PSDB-MG), ex-governador de Minas Gerais e candidato a presidente da República nas eleições de 2014. O Centrão, por sua vez, mostrou-se atolado até o pescoço.

Triste é que naquele período não faltaram avisos de que o Brasil caminhava para o fundo do poço, em razão da política dita “desenvolvimentista” empreendida pelo então ministro da Fazenda Guido Mantega (PT-SP). Durante todo curso de sua gestão – de março de 2006 a 01 de janeiro de 2015 – os cofres do Tesouro Nacional ficaram abertos à gastança. Paralelamente, o governo concedia empréstimos por meio do Banco do Brasil, CEF e BNDES, com juros subsidiados, e isenções fiscais às empresas dos apadrinhados. Cada um tirava o seu quinhão do bolo!

Pode-se concluir, portanto, que o Centrão tem uma grande parcela de culpa na atual crise, haja vista a efetiva participação do MDB, PP, PR, PSD, PTB, PRB, PSC, PROS e Solidariedade, entre outros, na base aliada que se uniu ao PT e a outros partidos de esquerda, na sustentação dos governos dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff. Por isto, não é de se estranhar a união desse grupo contra o combate à corrupção, da forma como aconteceu na articulação que tirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro Sérgio Moro.

Esse mesmo grupo agora se acha incomodado com o rótulo “Centrão”. Por isto, a direção de jornalismo da Câmara de Deputados censurou o uso desse termo nos meios de comunicação daquela Casa de Leis: no canal de TV, rádio, redes sociais e agências. Dizem agora que o nome Centrão é “pejorativo”, não obstante ser utilizado há anos na identificação daquela facção política. Nada é mais ultrajante, no entanto, que os atos praticados contra o Brasil e os brasileiros. Neste ponto, não adianta mudar de nome, tem é que ter vergonha na cara…

 

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