A reforma da Previdência tem demonstrado de forma inequívoca a resistência de inúmeros parlamentares, tanto da Câmara dos Deputados como do Senado Federal, ao aniquilamento da velha política do toma lá dá cá efetuado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Mesmo renovado, parte considerada do Parlamento parece que ainda não se deu conta de que a população brasileira já não aceita a velha política e clama por mudanças. A roubalheira instalada em Brasília quebrou o País e ninguém suporta mais ter que pagar a conta.

O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Democratas – RJ), vem atuando como oposição sistemática ao governo, embora em todas as suas entrevistas sempre se manifeste favorável às reformas. A questão é que para firmar sua liderança, com a pretensão de viabilizar sua candidatura às próximas eleições presidenciais de 2022, ora Rodrigo Maia acende uma vela à oposição, ora acende outra ao centrão, que a qualquer custo sempre busca preservar suas mazelas. A intenção é clara: a de acuar cada vez mais o governo e obrigá-lo a negociar cargos e verbas.

Entretanto, neste momento de sérias ebulições políticas e de mudanças, ao deputado Rodrigo Maia caberia a missão de arrefecer os ânimos e não jogar mais combustível na fogueira. Seu cargo de presidente de um dos poderes mais importantes da República exige-lhe decoro moderação e altruísmo para manter a harmonia entre os poderes, da forma prevista em nossa Constituição.

A reforma da Previdência não só é necessária, mas imprescindível ao equilíbrio fiscal e ao futuro do país. Prescindi-la, neste momento, é comprometer o futuro das próximas gerações, da forma como bem tem dito o ministro da Economia Paulo Guedes. É colocar o Brasil de vez no atoleiro, com milhões de desempregados, com inflação alta e sem credibilidade interna e no exterior, pelo endividamento crescente.

É claro que o atual governo tem demonstrado muitos pontos vulneráveis. Não se pode esquecer, no entanto, que foi eleito pela maioria da população; que com o pouco período de experiência no poder não chegou ainda a seu ponto de maturação. E na política a tolerância e o entendimento são pontos indispensáveis, principalmente quando está em jogo o futuro do Brasil e de todos os brasileiros.

Outro ponto não menos importante é o boicote que a oposição e o centrão ensaiam em fazer ao Projeto de Lei Anticrime já apresentado ao Congresso Nacional pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro. Qualquer retrocesso à Operação Lava Jato será um novo tiro a queima roupa nas costas de cada um dos brasileiros. Estamos no século XXI e não podemos aceitar que o Brasil fique condenado a atraso crônico por uma minoria que só pensa no proveito próprio. Cadeia não pode ser só para pobre, senão também para os criminosos de colarinho branco, os corruptos.

A Operação Lava Jato transformou o País ao levar para a cadeia inúmeros poderosos: empreiteiros de obras públicas, altos funcionários e diretores de estatais, políticos e inclusive ex-presidentes da República, entre outros.  Portanto, a corrupção agora é crime e qualquer retrocesso é ser conivente com o malfeito. Afinal, o Estado brasileiro é de todos os brasileiros e não de uma pequena minoria que sempre privilegiou seus interesses.

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