O endividamento do Brasil está chegando a um ponto tão crítico, que sem a realização das reformas necessárias o país acabará quebrando, da mesma forma como aconteceu com a Grécia. Mesmo assim, determinadas categorias do funcionalismo público, com forte lobby no Congresso Nacional, vêm obtendo aumentos que fogem à racionalidade, pela indiferença ante a situação. As porteiras foram abertas com a elevação do teto de salários para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Michel Temer (MDB-SP).

Não obstante as críticas, a Mesa do Senado Federal, presidida pelo senador Eunício Oliveira (MDB-CE), decidiu por aprovar aumento para os servidores daquela Casa de Leis, que recebiam o salário limitado ao teto de R$ 33,7 mil. O aumento será a partir do mês em curso, dezembro, incidindo inclusive sobre o décimo terceiro salário. E não são poucos os servidores do Senado que passarão a perceber o novo teto do funcionalismo, estipulado agora em R$ 39,2 mil por mês, porque os salários anteriores somados às gratificações superavam o teto máximo estipulado para o STF.

Esse efeito cascata irá privilegiar uma gama enorme de servidores dos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, de forma que o novo governo, a ser empossado no dia primeiro de janeiro, já começará tendo de assumir vultosos encargos, que impactarão no orçamento de 2019 um montante estimado em mais de R$ 5,0 bilhões. E não bastará ao novo governo a intenção de acabar com o toma lá dá cá, pois o lobby dos servidores sempre ultrapassa aos limites do que manda o bom senso para o equilíbrio das contas públicas. Parece que a ganância não tem limites.

Outro fato de estarrecer, que também não encontra justificativa no bom senso, é o auxílio mudança, criado em 2014 para atender a senadores e deputados federais em início de mandato. O valor é de R$ 33,7 mil, podendo dobrar para R$ 67,4 mil caso o senador ou o deputado tenha sido reeleito. Não importa se o beneficiário tenha casa própria em Brasília ou esteja utilizando um apartamento funcional, de propriedade pública, que são colocados à disposição de vossas excelências parlamentares. Mais um verdadeiro absurdo que só acontece no Brasil.

Não se pode esquecer que o Brasil tem um dos parlamentos mais caros do mundo, com verbas de gabinete e auxílios acessórios que “invejariam” os legislativos dos países mais ricos que o nosso. Quem paga é a sociedade, já sacrificada pelos baixos salários e pela alta carga tributária e minguadas aposentadorias.

O descontrole das contas públicas, por sua vez, aumenta as incertezas e inibe a realização de novos investimentos, travando o crescimento do país. Com ele vem a redução da massa de salários, a elevação dos juros e dos impostos e o desemprego. É o Brasil ficando pior para todos. E o egocentrismo do setor público nunca demonstra a menor sensibilidade com isso, uma vez que está sempre voltado para a manutenção de seus próprios interesses e privilégios. E o Parlamento não se cansa de virar as costas para os eleitores.

A previsão do Tesouro Nacional é de que mesmo com as reformas a dívida pública irá continuar aumentando até o ano de 2022, quando deverá alcançar o patamar de 81% do Produto Interno Bruto. Então, cabe a sociedade organizada, do setor civil, pressionar os nossos representantes em Brasília, para que mudem o curso dessas aberrações e acabem com todos esses privilégios. O Estado tem que ser justo! Portanto, já não é mais cabível tanta imoralidade no poder público.

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Nascido em Barra de São João, no Rio de Janeiro, Wagner Medeiros Jr. é formado em economia com diversas especializações na área da saúde. Área na qual sempre teve grande atuação, já foi o representante capixaba na Federação Brasileira de Hospitais e atualmente é o superintendente do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim-ES. Ao longo de sua carreira sempre conviveu diretamente com a política, exercendo também cargos públicos, experiências que contribuem para seu senso crítico acerca do assunto. Um estudioso da história do Brasil com uma posição política de centro, contra os radicalismos de esquerda e direita, se destaca como colunista dos jornais Aqui Notícia, Folha do Caparaó e da revista Cult. Por estes e outros destaque foi convidado a integrar a Academia Cachoeirense de Letras, de onde é membro desde 2016.

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