A projeção para o crescimento do Brasil neste ano, de acordo com o relatório Perspectiva Econômica Global, do Fundo Monetário Internacional (FMI), saltou para 2,5%. Este percentual é coincidente com o do último Boletim Focus, que projeta a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no mesmo período, em 2,53%. O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, com base nas projeções dos analistas de mercado das principais instituições financeiras do país. Portanto, a economia brasileira deverá crescer com mais vigor que no ano passado, quando aumentou em torno de 1,3%, conforme estimativas recentes.

Mesmo assim, o Brasil não conseguirá superar a média mundial, em 2019, haja vista que pelas previsões do FMI a elevação da produção mundial deverá alcançar 3,5%, impulsionada mais uma vez pelos países asiáticos, principalmente pela Índia e a China. São esses países os que mais crescem entre os de economia emergente e em desenvolvimento. Mais que o dobro do que o Brasil! Neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês deverá subir 6,2%, enquanto o indiano em 7,5%, mesmo diante da perspectiva de desaceleração da economia mundial.

Várias autoridades da área econômica têm afirmado que o Brasil tem potencial para crescer em intensidade similar à China e à Índia, e destacar-se de igual forma entre os países emergentes e em desenvolvimento. O entrave é o peso do Estado, que fica obrigado a tirar cada vez mais recursos das famílias e das empresas para cobrir suas despesas crescentes. Altos salários e aposentadorias de determinadas categorias do funcionalismo público; excesso de privilégios e de mordomias; ineficiência e exagero de burocracia e custo elevado da rolagem da dívida pública são alguns dos itens que fomentam o peso do Estado.

Há alguns anos o país gastava em torno de 20% do PIB. Atualmente já são mais de 36%. O Chile gasta apenas 23%, mas sua renda per capita está acima de US$ 20 mil/ano, aos moldes dos países de economias avançadas. A renda per capita chilena é mais que o dobro que a do Brasil, que fica pouco acima de US$ 9 mil/ano. Como conseqüência, o Chile é o país da América Latina com o melhor indicador de desenvolvimento humano (IDH). Seu IDH é de 0,83 – situado na 42ª posição entre 143 países. Já o Brasil ocupa a 75ª colocação, com o IDH de 0,73.

No ano passado a dívida pública brasileira alcançou o montante de R$ 3,8 trilhões – um crescimento de 10% durante o ano. Como o país é obrigado a arcar com os encargos da dívida – pagamento de juros e spreads bancários, etc. – sobra cada vez menos dinheiro para investimentos. Isto atinge diretamente o emprego e torna o país menos competitivo junto ao mercado externo.

A atual equipe econômica, sob comando do ministro da Economia, Paulo Guedes, tem demonstrado uma grande vontade em mudar a atual situação, de forma bem mais determinada que os últimos governos. Várias medidas, inclusive, estão sendo estudadas para diminuir o tamanho e o endividamento do Estado, convergindo para a promoção do equilíbrio fiscal. Também se estuda a diminuição da carga tributária sobre as empresas, de modo a viabilizar o aumento da competitividade, entre outras medidas. Entretanto, nenhuma delas é mais importante que a da reforma da previdência.

Outro ponto importante é que será necessário mexer nos privilégios. Espera-se, portanto, que desta vez o Parlamento brasileiro se situe a favor do Brasil e dos brasileiros, e não da minoria que transita em torno do Estado para manter seus próprios interesses. O Brasil já não pode esperar: precisa urgentemente ser refeito!

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