A reforma da Previdência é uma política de Estado, necessária para reequilibrar as contas públicas dos governos a nível federal, do distrito federal e dos estados e municípios. Portanto, ela não é uma política de governo do partido político “A” ou “B”, que momentaneamente ocupa o poder por prazo determinado. Ela é uma política de Estado porque sem ela o país tende ao fracasso, condenado a conviver com baixos níveis de desenvolvimento, índices de desemprego elevado, inflação alta e com concentração cada vez maior da renda, entre outros agravos provocados pelo desequilíbrio econômico.

Historicamente, o grande problema da reforma da Previdência é que ela vem sendo realizada através de mudanças pontuais ao longo do tempo, uma vez que nossos políticos sempre evitaram encará-la, de modo a manter privilégios para uma pequena casta da elite políticos e de servidores públicos. Assim, o que está sendo proposto agora pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, já deveria ter sido discutido e aprovado há 20 anos. Se assim fosse atualmente o Brasil estaria em um patamar de desenvolvimento muito acima ao atual, talvez em situação ainda melhor que a do Chile.

Não é verdade que a reforma da Previdência afetará principalmente as camadas mais pobres da população, como tem alardeado muitos políticos. O trabalhador comum, por exemplo, hoje já se aposenta ao completar 65 anos de idade, sem ter cumprido o tempo de serviço para aposentaria. Na realidade, a maior correção incidirá entre os contribuintes de altos salários, que se aposentam prematuramente em torno dos 50 anos com vultosas aposentadorias. Também os militares, caso o parlamento decida por aprovar medidas mais adequadas e justas.

Por isto, politizar a reforma da Previdência, da forma como vem fazendo os partidos de oposição, aliados a parlamentares do chamado Centrão, é um desserviço de grande magnitude que estão promovendo contra o Estado Brasileiro. É uma perversidade com o país e com as futuras gerações, que terão as suas aposentarias comprometidas, pois é evidente que não haverá recursos suficientes para que os próximos governos possam honrar com o pagamento desse benefício a todos. Os números são frios e demonstram fielmente esta realidade.

Nesta semana, o líder da Força Sindical, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade – SP), deu uma demonstração deplorável desse desserviço ao país, ao externar publicamente a intenção do Centrão de limitar a reforma. O motivo, segundo ele, seria o de não garantir a reeleição ao atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), concedendo-lhe recursos para efetivação de novos investimentos. Um argumento que além de esdrúxulo e mesquinho é ridículo, por não pensar na situação atual e no futuro do Brasil. Nem nos milhões de desempregados!

Para o deputado em questão “oitocentos bilhões garantem, de cara, e reeleição dele (de Bolsonaro). Se dermos 800 (bilhões de reais), como disse ele, significa que nos últimos três anos dele há 240 bilhões ao ano para gastar. Eu acho que temos de ter em torno de 500 bilhões. Seiscentos bilhões seria o limite para essa reforma”. Por um depoimento desse nível fica patente que o país não precisa de inimigos, haja vista os parlamentares que pensam de forma minúscula. Além disso, o presidente Bolsonaro completou apenas quatro meses de governo e seu mandato termina só em 2022.

A lógica do deputado Paulinho da Força é deplorável! Como representante do povo no parlamento, e também como sindicalista, pelo menos ele deveria estar preocupado com os desempregados. Sua lógica, portanto, é um contrassenso. É o mesmo que dizer que mais vale o “quanto pior, melhor”. É assim que atua a oposição do PT, PSOL, Rede, PCB, etc… de igual maneira mesquinha. Cabe indagar, então, que país essa gente quer ter no futuro? Mas, enfim, esse é um tipo de político que ainda temos que aturar, com toda falta de escrúpulo, de postura e grandeza.

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